terça-feira, 22 de março de 2011

Fredera se apresenta em BH, ao lado de Beto Lopes e Nenem

O guitarrista Fredera
Crédito: arquivo pessoal
Considerado um dos maiores guitarristas brasileiros, Frederyco, ou ‘Fredera’, integrante dabanda Som Imaginário nos anos 70, se apresenta nessa quinta-feira (24/03) no espaço No Fundo do Baú, em Belo Horizonte. Acompanhado por Beto Lopes (baixo) e Esdras "Neném" Ferreira (bateria), Fredera apresenta um repertório que vai de jazz e blues a standards, passando por bossa-nova e chegando às composições próprias, que fazem parte do seu próximo CD, “Balada a um Anjo na Terra”, que já está sendo preparado.

O trio Fredera, Beto Lopes e Neném vem se apresentando na capital mineira desde dezembro de 2010, atraindo público jovem de admiradores da música instrumental, além de entusiastas do trabalho do guitarrista, que o acompanham desde sua estreia no Som Imaginário, em 1970.

Fredera e o Som Imaginário

Nascida de um projeto para acompanhar o cantor Milton Nascimento no show “Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário”, a banda contou com a participação dos músicos Zé Rodrix (vocal, órgão, flautas e percussão), Wagner Tiso (piano e órgão), Tavito (violão), Luiz Alves (baixo), Robertinho Silva (bateria) e Frederyko (guitarra) – atualmente conhecido como Fredera. Também já fizeram parte da banda Laudir de Oliveira, Naná Vasconcelos, Novelli, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Paulinho Braga e Jamil Joanes.
O grupo passou por várias mudanças de formação e produziu três discos: "Som Imaginário" (1970), "Som Imaginário" (1971) e "Matança do Porco" (1973). Matança do Porco, provavelmente o mais progressivo, contou com os vocais de Milton Nascimento.  Além deste artista, o Som Imaginário acompanhou em shows e gravações MPB-4, Taiguara, Marcos Valle, Gal Costa, Odair José, Carlinhos Vergueiro, Sueli Costa e Simone, dentre outros.

Trabalho solo - Em 1981, Fredera lançou o LP "Aurora vermelha" (Som da Gente), contendo suas composições "Aurora vermelha", "Músico viajante-revelações", "Um bolerésio (Para Tenório Jr, no céu)", "Clara, cheia de luz", faixa que contou com a participação de Gonzaguinha, "Pequeno poema libertário (Para guitarra, cuíca e piano acústico)" e "O horizonte nos olhos de Manu". Ele ainda tem canções gravadas por Marcos Valle ("Paisagem de Mariana", no LP "Vento sul"/1972), Maricenne Costa ("É paciência é tentação", no LP "Maricenne Costa"/1980) e Roupa Nova ("Sábado", no LP "Roupa Nova"/1982).

Também pintor, escultor e jornalista, o músico Fredera ainda hoje é considerado um dos maiores guitarristas brasileiros. Atualmente mora na cidade de Alfenas, no sul de Minas.

Serviço
Jazz das Gerais, com o Trio Fredera, Beto Lopes e Neném
Estilo: música instrumental - Jazz, blues, rock, bossa-nova
Dia: 24/03/11 (quinta-feira)
Horário: 22h
Local: No Fundo do Baú – Av. Raja Gabáglia, 4767, Santa Lúcia
Fone: (31) 3297-3414
Ingresso: R$15

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sobre o blog de Maria Bethânia e outras exorbitâncias

Maria Bethânia não é a única a recorrer a editais públicos para realizar produções milionárias. Aprovar projetos culturais acima de R$ 1 milhão é prática do Minc. O problema é que são dois pesos e duas medidas. Para artistas consagrados é bem viável tanto a aprovação quanto a captação, mas quando se trata de artistas menos repercutidos, há severas exigências de contrapartidas sociais e custos reduzidos, entre muitas outras dificuldades. Assim, o cenário cultural reflete a realidade social do Brasil: muito recurso nas mãos de poucos! 


Veja matéria abaixo, do G1:

18/03/2011 10h14 - Atualizado em 18/03/2011 13h04

 Lista  de  aprovados  pelo  Minc  inclui  Maria Rita, Marisa Monte e Erasmo




Artistas poderão captar verba acima de R$ 1 milhão para produzir shows. Sula Miranda teve aval a proposta para distribuir DVD a caminhoneiros.

Braulio Lorentz, Gustavo Miller e Marcus Vinícius BrasilDo G1, em São Paulo
Erasmo Carlos, Sula Miranda, Marisa Monte e Maria Rita (Foto: Divulgação)Em sentido horário: Erasmo Carlos, Sula Miranda,
Marisa Monte e Maria Rita (Fotos: Divulgação e G1)
O mesmo relatório divulgado nesta semana pelo Ministério da Cultura com a aprovação ao polêmico blog da cantora Maria Bethânia inclui entre os contemplados projetos de Maria Rita, Marisa Monte, Erasmo Carlos e Sula Miranda, todos com pedidos de captação acima de R$ 1 milhão.
Artistas consagrados não são a regra entre os que desejam se beneficiar da Lei Rouanet. Dentre os projetos do setor musical recém-aprovados pelo MinC, há pelo menos 29 que poderão captar mais de R$ 1 milhão e não necessariamente envolvem grandes nomes do cenário nacional – exemplo da Semana de Música Antiga da UFMG, evento de música erudita que conseguiu autorização para captar R$ 1.104.104,45.
Diferentemente da proposta da cantora baiana, dedicada à poesia, os projetos de Maria Rita, Marisa, Erasmo e Sula  pretendem destinar a verba obtida mediante abatimento de impostos ao setor privado para a realização de shows e gravação de DVD.
Disponível para consulta no site do MinC, a planilha de projetos aprovados e indeferidos indica que Maria Rita poderá captar R$ 2.195.800 em patrocínio de empresas para cinco apresentações da série "Redescobrir Elis". O espetáculo homenageia Elis Regina (1945-1982), mãe da cantora.
Marisa Monte emplacou projeto para quatro shows acompanhada da Orquestra Sinfônica Brasileira, orçado em R$ 4.994.530. As apresentações acontecerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba.
Erasmo Carlos também teve projeto contemplado pelo Ministério da Cultura. O tremendão vai comemorar 70 anos com um show, orçado em R$ 1.219.858. A ideia é trazer convidados para a apresentação.
Já a sertaneja Sula Miranda pretende investir o R$ 1.154.175 que conseguiu aprovar pela Lei Rouanet para a produção do show e DVD "Sula Miranda - 25 anos de estrada". Com "aproximadamente 65 minutos" de duração, segundo detalhamento disponível no site do MinC, o projeto é destinado à distribuição gratuita aos caminhoeiros do país, principal público alvo da cantora.
“O objetivo é que patrocinadores do segmento automotivo o façam chegar às mãos desse público”, afirma ao G1 Simone Oliveira, secretária de Sula. A página do projeto no site do MinC indica que o DVD teria 250 cópias apenas, mas Simone sugere que pode ter havido erro de digitação e garante que haverá mais cópias. “São cerca de 250 mil”, diz, ressaltando que os altos custos de produção se devem à contratação do maestro Eduardo Lage, famoso pelo trabalho com Roberto Carlos.
Contrapartida social
À exceção do projeto de Sula, no entanto, que terá ingressos para o show vendidos por R$ 10 e R$ 20, todos os outros projetos dos artistas citados nesta reportagem não preveem cobrança de entrada.
“Jamais cobraria algo. O projeto é uma maneira de devolver à sociedade o que ela contribuiu para a carreira de Elis”, justifica João Marcello Bôscoli, presidente da gravadora Trama e diretor de “Redescobrir Elis”.
O produtor diz que o projeto de Maria Rita tem diversos componentes: uma exposição em quatro capitais, um documentário de seis horas e um livro que será distribuído em bibliotecas e universidades do país, além da série de shows – que foi até agora a única parte aprovada pelo MinC.
“Grande parte desse investimento [R$ 2.195.800] é o custo do transporte. São cinco cidades...”, comenta Bôscoli.
Nada impede, no entanto, que o projeto tenha outra metade 100% privada, explica o presidente da Trama e também irmão de Maria Rita: esses cinco shows gratuitos podem entrar em um pacote de outras dezenas de apresentações que serão pagas. No site do MinC, a descrição do projeto defende que, sem incentivo fiscal, o ingresso de cada espetáculo sairia por R$ 487.
“São duas linhas de investimento”, explica o produtor. “O que acho estranho é usar lei de incentivo para trazer artista de fora e cobrar ingresso caro depois. Isso é distorção”, ataca.
G1 apurou que o custo de um festival de porte médio em São Paulo com atrações internacionais de pop e indie rock gira em torno de R$ 6 milhões e R$ 7 milhões.
“Estamos falando o tempo todo de verba pública, então é preciso dar algo de volta à sociedade, como dois shows de livre acesso. É preciso tentar um mix do objetivo privado sem perder o horizonte do recurso público”, defende o produtor musical Marcos Boffa, que já cuidou da direção artística de festivais como o MotoMix, Nokia Trends e Planeta Terra, além de ter trazido turnês do Franz Ferdinand e LCD Soundsystem ao país.
A assessoria de imprensa de Marisa Monte disse que o projeto de shows da cantora aprovado pelo MinC estava ainda em fase embrionária e que não havia o que comentar.
A assessoria de Erasmo Carlos também foi contatada por telefone e e-mail, mas não retornou os pedidos de entrevista até a conclusão desta reportagem.
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Dóris é convidada do projeto Sambaqui, realizado na próxima sexta, no Conservatório da UFMG

Divulgação

O Conservatório da UFMG recebe nessa sexta-feira, 18/03, a sambista Dóris, na primeira edição de 2011 do projeto Sambaqui. Bem conhecida no cenário do Samba belo-horizontino, tanto como intérprete como pesquisadora, Dóris apresentará um repertório com diversos sambas de compositores mineiros – a participação no Sambaqui prevê que a apresentação seja 70% autoral, como forma de promover o reconhecimento, a valorização e a divulgação do samba feito em Minas.

Nascida em Belo Horizonte, Dóris tem relação com o Samba desde a infância. A paixão pelo Samba a levou a se dedicar, além da interpretação, ao estudo sobre o gênero. Dóris atuou como pesquisadora do livro “Heranças do Samba”, de Aldir Blanc, Hugo Sukman e Luiz Fernando Viana, editado pela Casa da Palavra, Rio de Janeiro, em 2004. Coordena o projeto educativo “Cantando a História do Samba”, desenvolvido em escolas públicas e particulares da capital e região metropolitana. A iniciativa busca o envolvimento de professores das diversas áreas do conhecimento, por meio de oficinas de sensibilização interativas com os alunos. Com atividades lúdicas e pedagógicas, amparadas pela musicalidade rítmica e pela poesia do samba, o projeto é um espaço para ensinar e dar ênfase aos momentos importantes em que a música se inscreve no tempo e na história, relacionando principalmente com a importância da cultura afro-brasileira na construção da identidade nacional. A elaboração do projeto, idealizado por Dóris, tem participações de Ataulfo Alves Júnior, Wilson Moreira, Luiz Carlos da Vila, Toninho Gerais, Serginho Beagá, Nelson Sargento, Mestre Afonso, entre outros.

Dóris demonstra em sua interpretação o prazer e a emoção que sente em retratar momentos importantes da história do samba. Mesmo quando a canção denuncia injustiças ou exalta resistência, temáticas comuns do gênero, Dóris canta ressaltando a carga emotiva das letras e, com sua contagiante alegria, valoriza a sonoridade rítmica e poética do samba.

O Projeto - Iniciado em junho de 2010, o Sambaqui já levou ao Conservatório da UFMG diversos artistas ligados ao samba, como Sérgio Pererê, Silvia Gommes, Mestre Jonas, Marina Gomes e Samba de Quintal. Na edição de abril, será a vez do compositor Cabral e a programação segue com um convidado a cada mês.

Serviço
Sambaqui com Dóris
Dia: 18/03/11
Horário: 20h
Local e endereço: Conservatório da UFMG – Av. Afonso Pena, 1534, Centro, BH
Telefone: (31) 3409-8300
Ingresso: R$12 (inteira) R$ 6 (meia)
Site: http://www.dorissamba.com.br/
Assista a esse vídeo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Rock n' roll, com Uai Stones


Uai Stones se apresenta neste sábado (12), no espaço No Fundo do Baú

Com arranjos fidedignos e pegada rock n’ roll, a banda Uai Stones oferece ao público hits como "(I Can’t Get No) Satisfaction", "Jumpin’ Jack Flash" e "Start Me Up", além de belas baladas como "Angie" e "Wild Horses".

A banda Uai Stones surgiu da vontade de quatro amigos em homenagear uma das maiores bandas de rock de todos os tempos: os Rolling Stones. Músicos experientes da cena belo-horizontina, Fred Mallard (voz e guitarra base), André Abi-Saber (guitarra solo), Nenel (bateria) e Xerllez (baixo) prestam tributo aos ingleses que revolucionaram a música e o comportamento em todo o Ocidente.
Serviço
Uai Stones
Estilo: Clássicos do Rock internacional e nacional dos anos 70 e 80
Dia: 12/03/11 (sábado à noite)
Horário: 23h
Local: No Fundo do Baú – Av. Raja Gabáglia, 4767, Santa Lúcia
Fone: (31) 3297-3414
Ingresso: R$20 

Homenagem à Elis Regina

Andrea Amendoeira em ‘Samba da Pimenta’

Show em homenagem à Elis Regina

No dia 17 de março, data em que Elis Regina completaria 66 anos de idade, Andrea Amendoeira & Banda farão uma homenagem a essa grande intérprete.

O show especial foi elaborado com um formato dinâmico e próprio para apresentações em bares e casas de show. O “Samba da Pimenta” foi pensado para agradar pessoas que querem se divertir ao som de bons sambas e, ao mesmo tempo, ter a oportunidade de relembrar bons momentos da carreira de Elis Regina. O nome faz alusão à “Pimentinha”, apelido dado por Vinícius de Morais à Elis, devido ao seu jeito ‘espevitado’, gênio forte e determinação. 

Andrea Amendoeira e Banda estrearam o ‘Samba da Pimenta’ no último 25 de fevereiro, no espaço ‘No Fundo do Baú, interpretando canções que marcaram a carreira de Elis e a tornou um dos maiores ícones da música brasileira. A apresentação foi caracterizada por entusiasmo e emoção, por parte do público e da banda. Foi levada no dia seguinte ao Mercado Mundo Mico, em Macacos, e tem outras datas marcadas em março e abril, com destaque para a data especial de aniversário (17/03), em que o grupo dará ênfase para uma homenagem ainda mais intensa.

Experiência - Dona de uma voz marcante, Andrea Amendoeira é uma experiente cantora, professora de canto e de técnica vocal. Integrou a equipe de professores da Babaya Escola de Canto por mais de 10 anos, realizou a coordenação artística do Festival Sesi Música por duas edições, em 2009 e 2010. Atua também como preparadora vocal de atores há mais de uma década, tendo passagem pelo grupo Galpão (como preparadora vocal de espetáculos do Oficinão) e é integrante da Banda Osquindô.

Em casas de shows de Belo Horizonte e região, Andrea Amendoeira tem mostrado seu trabalho junto a renomados e experientes músicos, fazendo belíssimos espetáculos que passam por Samba, Bossa e MPB, tendo como característica principal uma interpretação autêntica, capaz de emocionar o público.

Serviço
Show Samba da Pimenta, com Andrea Amendoeira & Banda
- Homenagem à Elis Regina, no dia de aniversário da cantora -
Dia: 17/03 (5ª feira)
Horário: 22h
Local: Capim Limão – Av. Montreal, 135, Jardim Canadá, Nova Lima
Tel: 3581-8827
Ingresso: R$ 10

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dispenso esta rosa

Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: “parabéns”.
Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.
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Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.
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Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade – da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.
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A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas. Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger. Mas, bem, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece comfrequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.
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Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.
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Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?
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Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso – onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.
A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…). Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.
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Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamurizam aviolência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.
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Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.
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Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário. 
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