terça-feira, 14 de junho de 2011

TRADIÇÃO NO PALCO DO CONSERVATÓRIO DA UFMG

Sambaqui recebe o grupo Magnatas do Samba 
nesta 5ª feira (16/06/11)

Luizinho, Felipe, Mará e Renatinho, os Magnatas do Samba

Seguindo ao propósito de valorizar o bom samba feito em Minas, o Sambaqui traz, nessa edição em que completa um ano, o grupo Magnatas do Samba. O show apresentará composições do próprio grupo e de outros compositores locais, na quinta-feira, dia 16 de junho, às 20h, no Conservatório da UFMG.

O grupo foi criado há 35 anos, no bairro Jardim Montanhês, em Belo Horizonte. Inicialmente chamado de “Samba Nosso”, o nome Magnatas do Samba foi herdado de um grupo de amigos, dois anos depois da fundação. Desde então, passou por diversas formações, acompanhou artistas nacionais como Bezerra da Silva, Mestre Marçal, recebeu elogios de Elizeth Cardoso e do grupo carioca Fundo de Quintal.

Sem perder a essência do samba de raiz, influenciado principalmente pelos grupos Originais do Samba e Demônios da Garoa, o Magnatas tem como característica marcante a diversidade de estilos. “Vai do samba de roda ao partido alto passando pelo samba romântico e as misturas como o carimbo e o baião”, define Felipe Magnata, um dos integrantes.

Carnaval e grandes participações

O Magnatas do Samba tem importante participação no carnaval belo-horizontino. “O grupo faturou o concurso de samba-enredo comemorando os noventa anos da cidade de Belo Horizonte, ganhou durante três anos as disputas para o enredo da mais tradicional escola de samba da cidade, a Canto da Alvorada, e durante outros cinco anos consecutivos da Monte Castelo, escola de samba da vizinha cidade de Nova Lima”, explica Felipe.

O grupo também leva no currículo apresentações em grandes eventos junto a artistas de renome nacional como Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagadinho, Dona Ivone Lara, Neguinho da Beija Flor, Alcione, Martinho da Vila, Marquinhos Satã, Fundo de Quintal, Soweto, Katinguelê, Só Pra Contrariar, Negritude Júnior, Raça Negra, Bezerra da Silva, Beth Carvalho e outros. 

O Magnatas do Samba é formado por Renatinho Magnata (vocal / tantã); Felipe Magnata (voz / cruner); “Mará” (voz / pandeiro); e Luizinho (vocal e cavaco). Para shows especiais como o Sambaqui, outros músicos complementam a banda, com violão 6 cordas, banjo, violão 7 cordas, contra-baixo, bateria e percussão.

O projeto Sambaqui

A proposta do Sambaqui é promover o reconhecimento, a valorização e a divulgação do samba feito em Minas.  Com curadoria e produção de Josi Costa, o projeto é realizado há um ano, no Conservatório da UFMG, uma vez ao mês. Nesse período, já participaram os artistas Silvia Gommes, Sérgio Pererê, Mestre Jonas, Marina Gomes, Samba de Quintal, Dóris, Cabral e Andrea Amendoeira.

Serviço
Sambaqui com Magnatas do Samba
Dia: 16/06/11 (quinta-feira)
Horário: 20h
Local e endereço: Conservatório da UFMG – Av. Afonso Pena, 1534, Centro, BH
Telefone: (31) 3409-8300
Ingresso: R$12 (inteira) R$ 6 (meia)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

“Alegria de cantar”

Com quase 20 anos de carreira, Andrea Amendoeira é conhecida no cenário cênico-musical da cidade por sua experiência como cantora, professora de canto e preparadora vocal de músicos, atores e grupos teatrais. Integrou a equipe de professores da Babaya Escola de Canto por mais de 10 anos, realizou a coordenação artística do Festival Sesi Música por duas edições, participa de importantes projetos musicais. Atua como preparadora vocal de atores há mais de uma década, com passagem pelo projeto Oficinão e curso para iniciantes do Galpão Cine Horto, projeto Arena da Cultura, curso de Artes Cênicas da UFMG e Puc-MG. Atualmente, Andrea integra a Banda Osquindô e se apresenta em carreira solo, junto a renomados e experientes músicos, por bares e casas de shows de Belo Horizonte e região.
Entrevista e foto: Brígida Alvim
Andrea Amendoeira é convidada da edição de maio do projeto Sambaqui, realizada na próxima sexta-feira, 20/05, no Conservatório da UFMG, às 20 horas. Em entrevista ao projeto, ela conta dos preparativos da apresentação e de sua alegria de cantar.

Andrea, o que você preparou para este show? 
Momentos de delicadeza, introspecção e humor. O que eu quero dizer é que o show será bem dinâmico, com momentos introspectivos, como quando da participação de Kiko Ianni, com a guitarra flamenca (só ele e eu no palco, e o samba ganhará uma surpreendente interpretação) e de humor irreverente, como na música do Billy Blanco, Feiúra não é nada. Algumas vezes, o samba se apresentará com uma pegada Jazzística, dando espaço para os solos dos músicos. Ao dividir a música ‘Samba da minha terra’ com a cantora Carol Serdeira – que tem uma pegada bem diferente da minha – a proposta é fazer uma descontraída homenagem ao samba, mostrando o dinamismo e a pluralidade de interpretações que a música nos permite.

Qual será o repertório?
O repertório será composto por sambas inéditos, de compositores mineiros, como Fernando Muzzi, Cecília Barreto, Marcelo Jiran, Samy Erick e Sérgio Cesário. Mas também incluirá grandes clássicos da música brasileira, como ‘Comportamento Geral’, de Gonzaguinha, ‘Samba da minha terra’, de Dorival Caymmi, ‘Lapinha’, de Baden Powell e ‘Luz Negra’, de Nelson Cavaquinho.

Quais músicos e instrumentos te acompanharão?
Samy Eric, guitarra e violão; Júnior Fiúza, no baixo; Sérgio Silva, na percuteria; e Breno Mendonça, no saxofone.

Alguma homenagem ou participação especial?
Sim, contarei com a participação especial de Kiko Ianni, na guitarra flamenca e de Carol Serdeira, na voz.

Como você define sua relação com o samba? 
Não sou uma sambista, sou uma cantora que gosta de vários estilos de música, inclusive o samba. Minha relação com o gênero tem a ver com afinidade mesmo. Para quem gosta de música brasileira, como eu, o samba é um gênero que chama. Quando vou escolher uma música para cantar, eu me atenho muito ao texto e à levada. Procuro letras com mensagens interessantes, que tenham a ver comigo. Muitas vezes, durante esse processo de escolha e preparo da música, quando vejo, sai samba! (risos)

Por que a predominância desse gênero em suas interpretações?
O samba é muito presente no meu repertório porque, além de gostar do gênero, da afinidade, como falei antes, eu me apresento muito em bares e festas. As pessoas querem dançar, pedem músicas animadas. Então, vamos de samba, porque é um gênero mais extrovertido e animado.

Quais sentimentos o samba te desperta?
Desperta sentimentos muito bons. Uma alegria, uma boniteza...

Além de shows em bares, o que mais você tem feito no campo artístico?
Além do trabalho de preparação vocal de atores e cantores, já participei de alguns projetos junto a outros músicos. Dentre os espetáculos musicais que participei, estão: “Artistas mineiros in Concert”, que reuniu vários artistas de Belo Horizonte em show realizado no Palácio das Artes, em homenagem aos 60 anos de Gonzaguinha, em 2006. Na ocasião, cantei Comportamento Geral, música que já fazia parte do meu repertório e permanece, porque gosto e me identifico muito com ela; “Encontro Minas na MPB”, um projeto do Zé Teixeira, que apresentava compositores mineiros e eu fui como intérprete, cantando músicas da Cecília Barreto; “Uma festa no céu”, com direção musical de Babaya e cênica de Kaluh Araújo, no Teatro da Assembleia, em homenagem a compositores já falecidos. Esse projeto ficou em temporada no teatro da Assembléia e foi muito legal; E “Lá vou eu nessa estrada – a música de Paulinho Pedra Azul”, com direção musical de Babaya e cênica de Ênio Reis, que também envolveu vários artistas locais e derivou a gravação de um CD com o mesmo título.

Por falar em gravação de CD, você já gravou, ou tem planos de gravar o seu?
Além deste que citei, participei da gravação dos Cds “Samba Canção”, de Paulinho Pedra Azul, “Arranjos e Trilhas”, de Fernando Muzzi, “Cecília Barreto Autoral”, de Cecília Barreto e “Rádio Osquindô – Só sucessos”, com a banda Osquindô, da qual sou vocalista.
Eu ainda não tenho um cd solo gravado. Há alguns anos, um aluno gravou uma apresentação minha no bar A Casa e aproveitei essa gravação, caseira (risos), pra usar como cd demonstração. A ideia de gravar em estúdio é um desejo antigo. Já tenho quase tudo planejado, como repertório, arranjos, equipe, mas falta o incentivo financeiro necessário, que espero conseguir em breve. Este show que preparei para apresentar no Conservatório, no dia 20, conta com algumas das músicas que estarão neste cd que quero gravar.

O projeto Sambaqui é um projeto que valoriza o samba feito em Minas. O que você acha da iniciativa?
Acho muito importante valorizar o que é da terra, mostrar o que é feito aqui na nossa cidade. O mais legal é que o projeto dá oportunidade para artistas não tão conhecidos. A gente sabe que tem muita gente fazendo boa música em Belo Horizonte, além daqueles que todo mundo já conhece. É uma boa oportunidade de apresentar esses artistas para o público e divulgar seus trabalhos.

O fato de ser realizado no Conservatório da UFMG, um local de referência em apresentações musicais no Estado, que oferece estrutura de qualidade, interfere de que forma na apresentação?
A primeira vez que entrei no Conservatório foi no mês passado, quando fui assistir à apresentação da Carol Serdeira. Fiquei encantada com o lugar. É lindo! O Conservatório é um espaço construído em favor da música.  Confesso que estou emocionada. Apresentar em um local assim é uma honra e uma alegria muito grande.

Quais as vantagens e diferenças em relação às suas apresentações em bares da cidade?
Nos bares as pessoas vão para se divertir, descontrair, relaxar, conversar, comer e beber. A música está ali como segundo plano, um complemento. Quem canta em bar deve entender e respeitar isso. Não podemos exigir uma estrutura ideal para apresentação, se é um bar. Nem podemos esperar do público o mesmo grau de atenção que temos em um teatro, pois estão ali acima de tudo para se divertir, ficarem à vontade.
A diferença é que, no bar, a atenção do público é momentânea, dispersa. Você recebe atenção, mas não é toda voltada para você. Já no teatro, o show é o foco. As pessoas prestam atenção em todos os detalhes, se atentam mais à apresentação e assim completa o ciclo. A troca entre artista e público é mais intensa. Mas, independente do lugar, a alegria de cantar é minha. Adoro sempre!

Deixe um recado e faça um convite para o público te assistir no dia 20.
Convido para assistirem a esse show, que estamos preparando com muito carinho. Tem algumas surpresas muito legais e espero todo mundo lá!

Serviço
Sambaqui com Andréa Amendoeira
20/05/11 (sexta-feira), 20h
Conservatório da UFMG – Av. Afonso Pena, 1534, Centro, BH.
Fone: (31) 3409-8300
Ingresso: R$12 (inteira) R$ 6 (meia)


Mais informações:
Josi Costa - Produtora
Contatos: (31) 9193-2774  / josicosta@josicosta.com.br

Brígida Alvim - Assessora de imprensa
Contatos: (31) 9295-4639 /
brigidaalvim@gmail.com

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Andréa Amendoeira sobe ao palco do Sambaqui, no Conservatório da UFMG, dia 20/05

Com objetivo de promover o reconhecimento, a valorização e a divulgação do samba feito em Minas Gerais, o projeto Sambaqui convida, para a próxima edição, no dia 20/05 (sexta-feira), a cantora belo-horizontina Andréa Amendoeira. O repertório será composto por sambas inéditos, de compositores mineiros, como Fernando Muzzi, Cecília Barreto, Marcelo Jiran, Samy Erick e Sérgio Cesário. Mas também incluirá releituras de grandes clássicos da música brasileira, como ‘Comportamento Geral’, de Gonzaguinha, ‘Samba da minha terra’, de Dorival Caymmi, ‘Lapinha’, de Baden Powell e ‘Luz Negra’, de Nelson Cavaquinho.
“Levaremos para o Conservatório momentos de delicadeza, introspecção e de humor, como na releitura inédita que preparamos para a divertida música ‘Feiúra não é nada’, de Billy Blanco. Ao dividir o palco com a cantora Carol Serdeira – que tem uma pegada bem diferente da minha, mais Jazzística – na interpretação da música ‘Samba da minha terra’, a proposta é fazer uma descontraída homenagem ao samba, mostrando o dinamismo e a pluralidade de interpretações que a música nos permite”, antecipa a cantora.
Andréa será acompanhada pelos músicos Samy Eric, guitarra e violão; Júnior Fiúza, no baixo; Sérgio Silva, na percuteria; e Breno Mendonça, no saxofone. Participação especial de Kiko Ianni; na guitarra flamenca e Carol Serdeira, voz.

Multifacetada
Andrea Amendoeira é uma experiente cantora, professora de canto e de técnica vocal. Integrou a equipe de professores da Babaya Escola de Canto por mais de 10 anos, realizou a coordenação artística do Festival Sesi Música por duas edições, em 2009 e 2010. Atua também como preparadora vocal de atores há mais de uma década, tendo passagem pelo grupo Galpão (como preparadora vocal de espetáculos do Oficinão) e é integrante da Banda Osquindô. 
Cantando em casas de shows de Belo Horizonte e região há cerca de 20 anos, Andrea tem feito junto a renomados e experientes músicos belíssimos e animados espetáculos que tem o Samba como principal “ingrediente”. Grandes destaques são a voz marcante e a interpretação autêntica da cantora, capazes de encantar e emocionar o público.
Em fevereiro de 2011, Andrea Amendoeira e Banda estrearam o “Samba da Pimenta”, um especial elaborado em formato dinâmico, para homenagear a cantora Elis Regina. Nesse show, Andréa interpreta canções que marcaram a carreira de Elis e a tornou um dos maiores ícones da música brasileira. As apresentações são marcadas por entusiasmo e emoção, por parte do público e da banda.

O projeto
Iniciado em junho de 2010, o Sambaqui é uma iniciativa da produtora independente Josi Costa, responsável pela produção e curadoria do projeto, em parceira com o Conservatório da UFMG. O projeto é realizado na terceira sexta-feira de cada mês, na sala de música do Conservatório, com ingressos a preços populares. Já foram convidados do Sambaqui os artistas Sérgio Pererê, Silvia Gommes, Mestre Jonas, Marina Gomes, Samba de Quintal, Dóris e Cabral.

Serviço
Sambaqui com Andréa Amendoeira
Dia: 20/05/11 (sexta-feira)
Horário: 20h
Local e endereço: Conservatório da UFMG – Av. Afonso Pena, 1534, Centro, BH
Telefone: (31) 3409-8300
Ingresso: R$12 (inteira) R$ 6 (meia)


quarta-feira, 13 de abril de 2011

'Vício do bem'

"Não estou radicalizando, mas acho necessária a iniciativa mais profissional, para que o Samba saia desse conceito de estar associado a barulho, confusão e bebedeira".
Reforçando a proposta de promover o reconhecimento, a valorização e a divulgação do samba feito em Minas, o projeto Sambaqui recebe, nesta edição de abril, o músico e compositor Cabral. Com carreira musical de 22 anos, Cabral começou tocando acordeon e criando letras de músicas, depois passou a cantar, tocar violão, cavaquinho e compor. Hoje é um dos nomes representativos do samba de Belo Horizonte, reconhecido como compositor de enredos das escolas de samba Unidos dos Guaranis e Canto da Alvorada, e como idealizador e participante de projetos que disseminam a cultural local. Em entrevista exclusiva, esbanjando bom humor, o artista conta fatos que demonstram sua forte relação com o samba e dá dicas sobre o que levará para o show no Conservatório da UFMG, no dia 15.

Por Brígida Alvim

Dentre suas composições, o Samba é o ritmo mais predominante? Por que?
Sim, pois passei parte da minha adolescência no Rio de Janeiro, onde fui muito influenciado. As minhas influências sempre foram os compositores de sambas, não os intérpretes. Passei a reparar nas criações, nas letras e descobri que no samba há muita riqueza poética e muita criatividade em torno de fatos do cotidiano, que são relatados sempre de forma inteligente. Compositores esses como Luiz Carlos da Vila, Paulinho da Viola, Candeia, Monarco, Walter Rosa, Wilson Moreira, e muitos outros.

Vi uma entrevista em que você diz que tem o samba como vício. Por que?http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpg
Sim, um vício do bem (risos), porque está aliado ao fato da criação e eu sempre gostei de ler e escrever muito. Isso passou a ser um vício pra mim.


Quais estilos do samba você faz?
http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpgGosto do samba sincopado, dolente, alguns partidos de quadra e de terreiro. Se for samba, tá valendo.

http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpg
Dentro dos mais conhecidos, como partido-alto, samba enredo, breque, samba-canção, quais são os estilos que você faz?
http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpgUm pouco de cada um. Sempre fiz sambas em diversos estilos, como enredo, samba de breque, samba-canção e partido-alto.


Quanto aos temas, quais são os mais frequentes nas suas composições?
O amor sempre impera, né? Tem também assuntos do cotidiano, em que sempre estão envolvidos saudade, choro, sorriso, briga, poesia e tantas coisas mais... Tudo é motivo pra se fazer um samba! (risos)


Você tem formação em música ou é autodidata?Descrição: http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpg
Tive uma iniciação, enquanto minha mãe era viva. Estudei teoria e cheguei a tocar com partituras, mas depois da ida dela não me interessei mais e continuei no instinto e no gostar de compor e cantar.


Onde foi que você estudou?
http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpgNa escola de música Elias Salomé, aqui em BH, e na extinta escola de música João Alfredo, em Vaz Lobo, no Rio de Janeiro. Na verdade, ambas são extintas (risos).

Quando percebeu seu interesse pela música, você era criança?
Sim e ainda sou (risos).


Você já gravou?http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpg
Sim, tenho três cds independentes: 'Samba na simplicidade', 'Samba na simplicidade 2' e 'Água Benta', que é uma coletânea dos dois primeiros. Além desses, participei de gravação de outros artistas, como do Grupo Patuá, da cantora Dóris, Geraldo Magnata, Fabinho do Terreiro e Ricardo Barrão. E estou preparando um novo CD, que se chama 'O samba é assim'.


Por representar bem o Samba de Belo Horizonte, você participa de projetos importantes para a cidade. Quais são? Conte sobre sua contribuição.
Hoje sou integrante da ala de compositores da escola de Samba 'Canto da Alvorada'. Defendi o samba de enredo desse último carnaval já com o desfile no centro e fui campeão do Carnaval de 2011. Nos últimos cinco anos, fiz parte da escola de samba 'Unidos dos Guaranis', da Pedreira Prado Lopes, e compus os enredos durante esse período, juntamente com o Carlão do Guaranis. Ambas escolas são do grupo A.
Na última edição do 'Vozes do Morro', em 2010, fui selecionado como representante do samba de BH, tendo como música classificada: 'Água Benta', de minha autoria. Participei da agenda do projeto, cantando no expresso Vozes do Morro, antigo Expresso Melodia, além de participar do show de encerramento, no Lapa Multi Show, com a gravação de um DVD que sairá agora na segunda quinzena de abril. 

Você já se apresentou em teatro antes, tendo um show só seu?http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpg
Já me apresentei no Dom Silvério, mas como convidado do grupo Patuá, em que cantei algumas músicas.


O que acha dessa oportunidade de mostrar o seu trabalho no Conservatório da UFMG, um espaço tradicionalmente voltado à formação e apresentação de música erudita?http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpg
Acho legal porque nesses espaços temos tranquilidade em mostrar o trabalho autoral. No dia a dia, ao lançar um samba novo, ou uma obra nova, as atenções não são tão diretas.


A atenção do público em teatro é bem diferente da de show em bar, não é mesmo? E em relação à estrutura, qual a diferença?http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpg
Claro, em bares até os músicos têm dificuldade de se concentrar e não dão a atenção que o trabalho merece. http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpgA estrutura é fundamental, porque música é coisa séria. Assim como no futebol, que campo, gramado, campo de terra, tudo tem que estar adequado, para um show musical ocorrer bem a estrutura tem que estar de acordo.


O que você pensa a respeito do Sambaqui, que tem a proposta de levar sambistas populares ao palco do Conservatório e valorizar o samba feito em Minas?http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpg
Olha, estou muito animado e acho que esse é o caminho de se personalizar o samba de BH e aproximar o público que normalmente não frequenta as rodas e espaços que não oferecem o mínimo de conforto. Não estou radicalizando, mas acho necessária a iniciativa mais profissional, para que o Samba saia desse conceito de estar associado a barulho, confusão e bebedeira.


Então você acha que deveria haver mais iniciativas como essa?
Eu prezo pela arte como forma de unir e passar mensagem de união entre as classes. O samba tem esse poder, assim como qualquer outra vertente musical, principalmente através dessas iniciativas e locais dignos.


Mas isso não tiraria a caracterização original do samba?
http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186264_1832785945_6323647_q.jpgA caracterização é própria, é o DNA. O samba pode ser apresentado no boteco, na rua, nas salas de shows, teatros, nos parques, nos circos, mas com a conscientização de que ali tem um profissional, uma pessoa da arte, um artista que precisa ter o mínimo de estrutura para realizar o seu trabalhoDescrição: http://profile.ak.fbcdn.net/hprofile-ak-snc4/186766_100000848247687_6565933_q.jpg.


Para sua apresentação no Sambaqui, como está o repertório?
Montei o repertório com canções minhas com parceiros daqui e do Rio. São sambas que foram gravados pela Dóris, Fabinho do Terreiro, grupo Patuá, Ricardo Barrão, Jussara Preta, Geraldo Magnata e outros como Almir Guineto e Katinguelê. Tem alguma coisa também de Luiz Carlos da Vila e outros compositores que me inspiram.


Quais músicos te acompanham no show?
Fernando Bento, no cavaquinho; Leonardo Brasilio, sopro; Lamartine, violão 7 cordas; Barbanacho, pandeiro; Walmir, repique de anel; Liliu, surdo; e Arthuzinho, cuíca e efeitos.


Deixe um recado para o público que vai te assistir no Sambaqui
Convido o pessoal a comparecer para conhecer um pouco mais do meu trabalho, pois estarei apresentando sambas dos meus Cds anteriores e sambas inéditos, que estarão no próximo. Vamos fazer um coro só e brincar de ser feliz por alguns momentos!



Serviço

Sambaqui com Cabral
Dia: 15/04/11
Horário: 20h
Local e endereço: Conservatório da UFMG – Av. Afonso Pena, 1534, Centro, BH
Telefone: (31) 3409-8300
Ingresso: R$12 (inteira) R$ 6 (meia)

Ouça e assista a música Água Benta, composição de Cabral.

terça-feira, 22 de março de 2011

Fredera se apresenta em BH, ao lado de Beto Lopes e Nenem

O guitarrista Fredera
Crédito: arquivo pessoal
Considerado um dos maiores guitarristas brasileiros, Frederyco, ou ‘Fredera’, integrante dabanda Som Imaginário nos anos 70, se apresenta nessa quinta-feira (24/03) no espaço No Fundo do Baú, em Belo Horizonte. Acompanhado por Beto Lopes (baixo) e Esdras "Neném" Ferreira (bateria), Fredera apresenta um repertório que vai de jazz e blues a standards, passando por bossa-nova e chegando às composições próprias, que fazem parte do seu próximo CD, “Balada a um Anjo na Terra”, que já está sendo preparado.

O trio Fredera, Beto Lopes e Neném vem se apresentando na capital mineira desde dezembro de 2010, atraindo público jovem de admiradores da música instrumental, além de entusiastas do trabalho do guitarrista, que o acompanham desde sua estreia no Som Imaginário, em 1970.

Fredera e o Som Imaginário

Nascida de um projeto para acompanhar o cantor Milton Nascimento no show “Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário”, a banda contou com a participação dos músicos Zé Rodrix (vocal, órgão, flautas e percussão), Wagner Tiso (piano e órgão), Tavito (violão), Luiz Alves (baixo), Robertinho Silva (bateria) e Frederyko (guitarra) – atualmente conhecido como Fredera. Também já fizeram parte da banda Laudir de Oliveira, Naná Vasconcelos, Novelli, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Paulinho Braga e Jamil Joanes.
O grupo passou por várias mudanças de formação e produziu três discos: "Som Imaginário" (1970), "Som Imaginário" (1971) e "Matança do Porco" (1973). Matança do Porco, provavelmente o mais progressivo, contou com os vocais de Milton Nascimento.  Além deste artista, o Som Imaginário acompanhou em shows e gravações MPB-4, Taiguara, Marcos Valle, Gal Costa, Odair José, Carlinhos Vergueiro, Sueli Costa e Simone, dentre outros.

Trabalho solo - Em 1981, Fredera lançou o LP "Aurora vermelha" (Som da Gente), contendo suas composições "Aurora vermelha", "Músico viajante-revelações", "Um bolerésio (Para Tenório Jr, no céu)", "Clara, cheia de luz", faixa que contou com a participação de Gonzaguinha, "Pequeno poema libertário (Para guitarra, cuíca e piano acústico)" e "O horizonte nos olhos de Manu". Ele ainda tem canções gravadas por Marcos Valle ("Paisagem de Mariana", no LP "Vento sul"/1972), Maricenne Costa ("É paciência é tentação", no LP "Maricenne Costa"/1980) e Roupa Nova ("Sábado", no LP "Roupa Nova"/1982).

Também pintor, escultor e jornalista, o músico Fredera ainda hoje é considerado um dos maiores guitarristas brasileiros. Atualmente mora na cidade de Alfenas, no sul de Minas.

Serviço
Jazz das Gerais, com o Trio Fredera, Beto Lopes e Neném
Estilo: música instrumental - Jazz, blues, rock, bossa-nova
Dia: 24/03/11 (quinta-feira)
Horário: 22h
Local: No Fundo do Baú – Av. Raja Gabáglia, 4767, Santa Lúcia
Fone: (31) 3297-3414
Ingresso: R$15

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sobre o blog de Maria Bethânia e outras exorbitâncias

Maria Bethânia não é a única a recorrer a editais públicos para realizar produções milionárias. Aprovar projetos culturais acima de R$ 1 milhão é prática do Minc. O problema é que são dois pesos e duas medidas. Para artistas consagrados é bem viável tanto a aprovação quanto a captação, mas quando se trata de artistas menos repercutidos, há severas exigências de contrapartidas sociais e custos reduzidos, entre muitas outras dificuldades. Assim, o cenário cultural reflete a realidade social do Brasil: muito recurso nas mãos de poucos! 


Veja matéria abaixo, do G1:

18/03/2011 10h14 - Atualizado em 18/03/2011 13h04

 Lista  de  aprovados  pelo  Minc  inclui  Maria Rita, Marisa Monte e Erasmo




Artistas poderão captar verba acima de R$ 1 milhão para produzir shows. Sula Miranda teve aval a proposta para distribuir DVD a caminhoneiros.

Braulio Lorentz, Gustavo Miller e Marcus Vinícius BrasilDo G1, em São Paulo
Erasmo Carlos, Sula Miranda, Marisa Monte e Maria Rita (Foto: Divulgação)Em sentido horário: Erasmo Carlos, Sula Miranda,
Marisa Monte e Maria Rita (Fotos: Divulgação e G1)
O mesmo relatório divulgado nesta semana pelo Ministério da Cultura com a aprovação ao polêmico blog da cantora Maria Bethânia inclui entre os contemplados projetos de Maria Rita, Marisa Monte, Erasmo Carlos e Sula Miranda, todos com pedidos de captação acima de R$ 1 milhão.
Artistas consagrados não são a regra entre os que desejam se beneficiar da Lei Rouanet. Dentre os projetos do setor musical recém-aprovados pelo MinC, há pelo menos 29 que poderão captar mais de R$ 1 milhão e não necessariamente envolvem grandes nomes do cenário nacional – exemplo da Semana de Música Antiga da UFMG, evento de música erudita que conseguiu autorização para captar R$ 1.104.104,45.
Diferentemente da proposta da cantora baiana, dedicada à poesia, os projetos de Maria Rita, Marisa, Erasmo e Sula  pretendem destinar a verba obtida mediante abatimento de impostos ao setor privado para a realização de shows e gravação de DVD.
Disponível para consulta no site do MinC, a planilha de projetos aprovados e indeferidos indica que Maria Rita poderá captar R$ 2.195.800 em patrocínio de empresas para cinco apresentações da série "Redescobrir Elis". O espetáculo homenageia Elis Regina (1945-1982), mãe da cantora.
Marisa Monte emplacou projeto para quatro shows acompanhada da Orquestra Sinfônica Brasileira, orçado em R$ 4.994.530. As apresentações acontecerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba.
Erasmo Carlos também teve projeto contemplado pelo Ministério da Cultura. O tremendão vai comemorar 70 anos com um show, orçado em R$ 1.219.858. A ideia é trazer convidados para a apresentação.
Já a sertaneja Sula Miranda pretende investir o R$ 1.154.175 que conseguiu aprovar pela Lei Rouanet para a produção do show e DVD "Sula Miranda - 25 anos de estrada". Com "aproximadamente 65 minutos" de duração, segundo detalhamento disponível no site do MinC, o projeto é destinado à distribuição gratuita aos caminhoeiros do país, principal público alvo da cantora.
“O objetivo é que patrocinadores do segmento automotivo o façam chegar às mãos desse público”, afirma ao G1 Simone Oliveira, secretária de Sula. A página do projeto no site do MinC indica que o DVD teria 250 cópias apenas, mas Simone sugere que pode ter havido erro de digitação e garante que haverá mais cópias. “São cerca de 250 mil”, diz, ressaltando que os altos custos de produção se devem à contratação do maestro Eduardo Lage, famoso pelo trabalho com Roberto Carlos.
Contrapartida social
À exceção do projeto de Sula, no entanto, que terá ingressos para o show vendidos por R$ 10 e R$ 20, todos os outros projetos dos artistas citados nesta reportagem não preveem cobrança de entrada.
“Jamais cobraria algo. O projeto é uma maneira de devolver à sociedade o que ela contribuiu para a carreira de Elis”, justifica João Marcello Bôscoli, presidente da gravadora Trama e diretor de “Redescobrir Elis”.
O produtor diz que o projeto de Maria Rita tem diversos componentes: uma exposição em quatro capitais, um documentário de seis horas e um livro que será distribuído em bibliotecas e universidades do país, além da série de shows – que foi até agora a única parte aprovada pelo MinC.
“Grande parte desse investimento [R$ 2.195.800] é o custo do transporte. São cinco cidades...”, comenta Bôscoli.
Nada impede, no entanto, que o projeto tenha outra metade 100% privada, explica o presidente da Trama e também irmão de Maria Rita: esses cinco shows gratuitos podem entrar em um pacote de outras dezenas de apresentações que serão pagas. No site do MinC, a descrição do projeto defende que, sem incentivo fiscal, o ingresso de cada espetáculo sairia por R$ 487.
“São duas linhas de investimento”, explica o produtor. “O que acho estranho é usar lei de incentivo para trazer artista de fora e cobrar ingresso caro depois. Isso é distorção”, ataca.
G1 apurou que o custo de um festival de porte médio em São Paulo com atrações internacionais de pop e indie rock gira em torno de R$ 6 milhões e R$ 7 milhões.
“Estamos falando o tempo todo de verba pública, então é preciso dar algo de volta à sociedade, como dois shows de livre acesso. É preciso tentar um mix do objetivo privado sem perder o horizonte do recurso público”, defende o produtor musical Marcos Boffa, que já cuidou da direção artística de festivais como o MotoMix, Nokia Trends e Planeta Terra, além de ter trazido turnês do Franz Ferdinand e LCD Soundsystem ao país.
A assessoria de imprensa de Marisa Monte disse que o projeto de shows da cantora aprovado pelo MinC estava ainda em fase embrionária e que não havia o que comentar.
A assessoria de Erasmo Carlos também foi contatada por telefone e e-mail, mas não retornou os pedidos de entrevista até a conclusão desta reportagem.
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