"Não estou radicalizando, mas acho necessária a iniciativa mais profissional, para que o Samba saia desse conceito de estar associado a barulho, confusão e bebedeira".
Reforçando a proposta de promover o reconhecimento, a valorização e a divulgação do samba feito em Minas, o projeto Sambaqui recebe, nesta edição de abril, o músico e compositor Cabral. Com carreira musical de 22 anos, Cabral começou tocando acordeon e criando letras de músicas, depois passou a cantar, tocar violão, cavaquinho e compor. Hoje é um dos nomes representativos do samba de Belo Horizonte, reconhecido como compositor de enredos das escolas de samba Unidos dos Guaranis e Canto da Alvorada, e como idealizador e participante de projetos que disseminam a cultural local. Em entrevista exclusiva, esbanjando bom humor, o artista conta fatos que demonstram sua forte relação com o samba e dá dicas sobre o que levará para o show no Conservatório da UFMG, no dia 15.
Por Brígida Alvim
Dentre suas composições, o Samba é o ritmo mais predominante? Por que?
Sim, pois passei parte da minha adolescência no Rio de Janeiro, onde fui muito influenciado. As minhas influências sempre foram os compositores de sambas, não os intérpretes. Passei a reparar nas criações, nas letras e descobri que no samba há muita riqueza poética e muita criatividade em torno de fatos do cotidiano, que são relatados sempre de forma inteligente. Compositores esses como Luiz Carlos da Vila, Paulinho da Viola, Candeia, Monarco, Walter Rosa, Wilson Moreira, e muitos outros.
Sim, um vício do bem (risos), porque está aliado ao fato da criação e eu sempre gostei de ler e escrever muito. Isso passou a ser um vício pra mim.
Quais estilos do samba você faz?
Quais estilos do samba você faz?
Dentro dos mais conhecidos, como partido-alto, samba enredo, breque, samba-canção, quais são os estilos que você faz?
Quanto aos temas, quais são os mais frequentes nas suas composições?
O amor sempre impera, né? Tem também assuntos do cotidiano, em que sempre estão envolvidos saudade, choro, sorriso, briga, poesia e tantas coisas mais... Tudo é motivo pra se fazer um samba! (risos)
Você tem formação em música ou é autodidata?
Você tem formação em música ou é autodidata?
Tive uma iniciação, enquanto minha mãe era viva. Estudei teoria e cheguei a tocar com partituras, mas depois da ida dela não me interessei mais e continuei no instinto e no gostar de compor e cantar.
Onde foi que você estudou?
Onde foi que você estudou?
Quando percebeu seu interesse pela música, você era criança?
Sim, tenho três cds independentes: 'Samba na simplicidade', 'Samba na simplicidade 2' e 'Água Benta', que é uma coletânea dos dois primeiros. Além desses, participei de gravação de outros artistas, como do Grupo Patuá, da cantora Dóris, Geraldo Magnata, Fabinho do Terreiro e Ricardo Barrão. E estou preparando um novo CD, que se chama 'O samba é assim'.
Por representar bem o Samba de Belo Horizonte, você participa de projetos importantes para a cidade. Quais são? Conte sobre sua contribuição.
Por representar bem o Samba de Belo Horizonte, você participa de projetos importantes para a cidade. Quais são? Conte sobre sua contribuição.
Hoje sou integrante da ala de compositores da escola de Samba 'Canto da Alvorada'. Defendi o samba de enredo desse último carnaval já com o desfile no centro e fui campeão do Carnaval de 2011. Nos últimos cinco anos, fiz parte da escola de samba 'Unidos dos Guaranis', da Pedreira Prado Lopes, e compus os enredos durante esse período, juntamente com o Carlão do Guaranis. Ambas escolas são do grupo A.
Na última edição do 'Vozes do Morro', em 2010, fui selecionado como representante do samba de BH, tendo como música classificada: 'Água Benta', de minha autoria. Participei da agenda do projeto, cantando no expresso Vozes do Morro, antigo Expresso Melodia, além de participar do show de encerramento, no Lapa Multi Show, com a gravação de um DVD que sairá agora na segunda quinzena de abril.
Já me apresentei no Dom Silvério, mas como convidado do grupo Patuá, em que cantei algumas músicas.
O que acha dessa oportunidade de mostrar o seu trabalho no Conservatório da UFMG, um espaço tradicionalmente voltado à formação e apresentação de música erudita?
O que acha dessa oportunidade de mostrar o seu trabalho no Conservatório da UFMG, um espaço tradicionalmente voltado à formação e apresentação de música erudita?
Acho legal porque nesses espaços temos tranquilidade em mostrar o trabalho autoral. No dia a dia, ao lançar um samba novo, ou uma obra nova, as atenções não são tão diretas.
A atenção do público em teatro é bem diferente da de show em bar, não é mesmo? E em relação à estrutura, qual a diferença?
A atenção do público em teatro é bem diferente da de show em bar, não é mesmo? E em relação à estrutura, qual a diferença?
Claro, em bares até os músicos têm dificuldade de se concentrar e não dão a atenção que o trabalho merece.
A estrutura é fundamental, porque música é coisa séria. Assim como no futebol, que campo, gramado, campo de terra, tudo tem que estar adequado, para um show musical ocorrer bem a estrutura tem que estar de acordo.
O que você pensa a respeito do Sambaqui, que tem a proposta de levar sambistas populares ao palco do Conservatório e valorizar o samba feito em Minas?
O que você pensa a respeito do Sambaqui, que tem a proposta de levar sambistas populares ao palco do Conservatório e valorizar o samba feito em Minas?
Olha, estou muito animado e acho que esse é o caminho de se personalizar o samba de BH e aproximar o público que normalmente não frequenta as rodas e espaços que não oferecem o mínimo de conforto. Não estou radicalizando, mas acho necessária a iniciativa mais profissional, para que o Samba saia desse conceito de estar associado a barulho, confusão e bebedeira.
Então você acha que deveria haver mais iniciativas como essa?
Então você acha que deveria haver mais iniciativas como essa?
Eu prezo pela arte como forma de unir e passar mensagem de união entre as classes. O samba tem esse poder, assim como qualquer outra vertente musical, principalmente através dessas iniciativas e locais dignos.
Mas isso não tiraria a caracterização original do samba?
Mas isso não tiraria a caracterização original do samba?
Para sua apresentação no Sambaqui, como está o repertório?
Montei o repertório com canções minhas com parceiros daqui e do Rio. São sambas que foram gravados pela Dóris, Fabinho do Terreiro, grupo Patuá, Ricardo Barrão, Jussara Preta, Geraldo Magnata e outros como Almir Guineto e Katinguelê. Tem alguma coisa também de Luiz Carlos da Vila e outros compositores que me inspiram.
Quais músicos te acompanham no show?
Quais músicos te acompanham no show?
Fernando Bento, no cavaquinho; Leonardo Brasilio, sopro; Lamartine, violão 7 cordas; Barbanacho, pandeiro; Walmir, repique de anel; Liliu, surdo; e Arthuzinho, cuíca e efeitos.
Deixe um recado para o público que vai te assistir no Sambaqui
Deixe um recado para o público que vai te assistir no Sambaqui
Convido o pessoal a comparecer para conhecer um pouco mais do meu trabalho, pois estarei apresentando sambas dos meus Cds anteriores e sambas inéditos, que estarão no próximo. Vamos fazer um coro só e brincar de ser feliz por alguns momentos!
Serviço
Sambaqui com Cabral
Dia: 15/04/11
Horário: 20h
Local e endereço: Conservatório da UFMG – Av. Afonso Pena, 1534, Centro, BH
Telefone: (31) 3409-8300
Ingresso: R$12 (inteira) R$ 6 (meia)
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