Com quase 20 anos de carreira, Andrea Amendoeira é conhecida no cenário cênico-musical da cidade por sua experiência como cantora, professora de canto e preparadora vocal de músicos, atores e grupos teatrais. Integrou a equipe de professores da Babaya Escola de Canto por mais de 10 anos, realizou a coordenação artística do Festival Sesi Música por duas edições, participa de importantes projetos musicais. Atua como preparadora vocal de atores há mais de uma década, com passagem pelo projeto Oficinão e curso para iniciantes do Galpão Cine Horto, projeto Arena da Cultura, curso de Artes Cênicas da UFMG e Puc-MG. Atualmente, Andrea integra a Banda Osquindô e se apresenta em carreira solo, junto a renomados e experientes músicos, por bares e casas de shows de Belo Horizonte e região.
Entrevista e foto: Brígida Alvim
Andrea Amendoeira é convidada da edição de maio do projeto Sambaqui, realizada na próxima sexta-feira, 20/05, no Conservatório da UFMG, às 20 horas. Em entrevista ao projeto, ela conta dos preparativos da apresentação e de sua alegria de cantar.Andrea, o que você preparou para este show?
Momentos de delicadeza, introspecção e humor. O que eu quero dizer é que o show será bem dinâmico, com momentos introspectivos, como quando da participação de Kiko Ianni, com a guitarra flamenca (só ele e eu no palco, e o samba ganhará uma surpreendente interpretação) e de humor irreverente, como na música do Billy Blanco, Feiúra não é nada. Algumas vezes, o samba se apresentará com uma pegada Jazzística, dando espaço para os solos dos músicos. Ao dividir a música ‘Samba da minha terra’ com a cantora Carol Serdeira – que tem uma pegada bem diferente da minha – a proposta é fazer uma descontraída homenagem ao samba, mostrando o dinamismo e a pluralidade de interpretações que a música nos permite.
Qual será o repertório?
O repertório será composto por sambas inéditos, de compositores mineiros, como Fernando Muzzi, Cecília Barreto, Marcelo Jiran, Samy Erick e Sérgio Cesário. Mas também incluirá grandes clássicos da música brasileira, como ‘Comportamento Geral’, de Gonzaguinha, ‘Samba da minha terra’, de Dorival Caymmi, ‘Lapinha’, de Baden Powell e ‘Luz Negra’, de Nelson Cavaquinho.
Quais músicos e instrumentos te acompanharão?
Samy Eric, guitarra e violão; Júnior Fiúza, no baixo; Sérgio Silva, na percuteria; e Breno Mendonça, no saxofone.
Alguma homenagem ou participação especial?
Sim, contarei com a participação especial de Kiko Ianni, na guitarra flamenca e de Carol Serdeira, na voz.
Como você define sua relação com o samba?
Não sou uma sambista, sou uma cantora que gosta de vários estilos de música, inclusive o samba. Minha relação com o gênero tem a ver com afinidade mesmo. Para quem gosta de música brasileira, como eu, o samba é um gênero que chama. Quando vou escolher uma música para cantar, eu me atenho muito ao texto e à levada. Procuro letras com mensagens interessantes, que tenham a ver comigo. Muitas vezes, durante esse processo de escolha e preparo da música, quando vejo, sai samba! (risos)
Por que a predominância desse gênero em suas interpretações?
O samba é muito presente no meu repertório porque, além de gostar do gênero, da afinidade, como falei antes, eu me apresento muito em bares e festas. As pessoas querem dançar, pedem músicas animadas. Então, vamos de samba, porque é um gênero mais extrovertido e animado.
Quais sentimentos o samba te desperta?
Desperta sentimentos muito bons. Uma alegria, uma boniteza...
Além de shows em bares, o que mais você tem feito no campo artístico?
Além do trabalho de preparação vocal de atores e cantores, já participei de alguns projetos junto a outros músicos. Dentre os espetáculos musicais que participei, estão: “Artistas mineiros in Concert”, que reuniu vários artistas de Belo Horizonte em show realizado no Palácio das Artes, em homenagem aos 60 anos de Gonzaguinha, em 2006. Na ocasião, cantei Comportamento Geral, música que já fazia parte do meu repertório e permanece, porque gosto e me identifico muito com ela; “Encontro Minas na MPB”, um projeto do Zé Teixeira, que apresentava compositores mineiros e eu fui como intérprete, cantando músicas da Cecília Barreto; “Uma festa no céu”, com direção musical de Babaya e cênica de Kaluh Araújo, no Teatro da Assembleia, em homenagem a compositores já falecidos. Esse projeto ficou em temporada no teatro da Assembléia e foi muito legal; E “Lá vou eu nessa estrada – a música de Paulinho Pedra Azul”, com direção musical de Babaya e cênica de Ênio Reis, que também envolveu vários artistas locais e derivou a gravação de um CD com o mesmo título.
Por falar em gravação de CD, você já gravou, ou tem planos de gravar o seu?
Além deste que citei, participei da gravação dos Cds “Samba Canção”, de Paulinho Pedra Azul, “Arranjos e Trilhas”, de Fernando Muzzi, “Cecília Barreto Autoral”, de Cecília Barreto e “Rádio Osquindô – Só sucessos”, com a banda Osquindô, da qual sou vocalista.
Eu ainda não tenho um cd solo gravado. Há alguns anos, um aluno gravou uma apresentação minha no bar A Casa e aproveitei essa gravação, caseira (risos), pra usar como cd demonstração. A ideia de gravar em estúdio é um desejo antigo. Já tenho quase tudo planejado, como repertório, arranjos, equipe, mas falta o incentivo financeiro necessário, que espero conseguir em breve. Este show que preparei para apresentar no Conservatório, no dia 20, conta com algumas das músicas que estarão neste cd que quero gravar.
O projeto Sambaqui é um projeto que valoriza o samba feito em Minas. O que você acha da iniciativa?
Acho muito importante valorizar o que é da terra, mostrar o que é feito aqui na nossa cidade. O mais legal é que o projeto dá oportunidade para artistas não tão conhecidos. A gente sabe que tem muita gente fazendo boa música em Belo Horizonte, além daqueles que todo mundo já conhece. É uma boa oportunidade de apresentar esses artistas para o público e divulgar seus trabalhos.
O fato de ser realizado no Conservatório da UFMG, um local de referência em apresentações musicais no Estado, que oferece estrutura de qualidade, interfere de que forma na apresentação?
A primeira vez que entrei no Conservatório foi no mês passado, quando fui assistir à apresentação da Carol Serdeira. Fiquei encantada com o lugar. É lindo! O Conservatório é um espaço construído em favor da música. Confesso que estou emocionada. Apresentar em um local assim é uma honra e uma alegria muito grande.
Quais as vantagens e diferenças em relação às suas apresentações em bares da cidade?
Nos bares as pessoas vão para se divertir, descontrair, relaxar, conversar, comer e beber. A música está ali como segundo plano, um complemento. Quem canta em bar deve entender e respeitar isso. Não podemos exigir uma estrutura ideal para apresentação, se é um bar. Nem podemos esperar do público o mesmo grau de atenção que temos em um teatro, pois estão ali acima de tudo para se divertir, ficarem à vontade.
A diferença é que, no bar, a atenção do público é momentânea, dispersa. Você recebe atenção, mas não é toda voltada para você. Já no teatro, o show é o foco. As pessoas prestam atenção em todos os detalhes, se atentam mais à apresentação e assim completa o ciclo. A troca entre artista e público é mais intensa. Mas, independente do lugar, a alegria de cantar é minha. Adoro sempre!
Deixe um recado e faça um convite para o público te assistir no dia 20.
Convido para assistirem a esse show, que estamos preparando com muito carinho. Tem algumas surpresas muito legais e espero todo mundo lá!
Serviço
Sambaqui com Andréa Amendoeira
20/05/11 (sexta-feira), 20h
Conservatório da UFMG – Av. Afonso Pena, 1534, Centro, BH.
Fone: (31) 3409-8300
Ingresso: R$12 (inteira) R$ 6 (meia)
Mais informações:
Josi Costa - Produtora
Contatos: (31) 9193-2774 / josicosta@josicosta.com.br

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